Uma organização criminosa especializada em aplicar o chamado “golpe do leilão” foi desarticulada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) durante uma megaoperação realizada nesta terça-feira (27). A segunda fase da Operação Martelo Virtual mobilizou agentes em oito estados brasileiros e resultou na prisão de 12 suspeitos, além da apreensão de R$ 60 mil em espécie, 32 veículos, e o bloqueio de mil contas bancárias e imóveis.
Com atuação nacional, o grupo movimentou ao menos R$ 18 milhões com a criação de sites falsos de leilão de veículos, que atraiam vítimas com preços muito abaixo do mercado.
🕵️♂️ Como o golpe funcionava
De acordo com as investigações iniciadas há mais de três anos, o esquema era altamente estruturado:
- Desenvolvedores criavam sites falsos de leilão, visualmente idênticos aos de empresas legítimas;
- Captadores de laranjas forneciam contas bancárias para o recebimento dos valores pagos pelas vítimas;
- Operadores financeiros eram responsáveis por movimentar e ocultar o dinheiro desviado;
- Parte dos recursos era lavada por meio da compra de bens em nome de terceiros, especialmente em São Paulo.
A operação foi deflagrada após a apuração de uma denúncia registrada em Frutal (MG), que levou a PCMG a identificar os líderes da quadrilha em Santo André (SP). A partir daí, a investigação se expandiu com o apoio das polícias civis de São Paulo e Paraná, além de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontaram movimentações financeiras atípicas.
⚖️ Megaoperação em 12 cidades e 4 estados
As ações ocorreram simultaneamente em Uberaba, Frutal, Belo Horizonte, Curitiba, Rolândia, Santo André e outras cidades. Além dos mandados de prisão, foram cumpridos 54 mandados de busca e apreensão, com foco na coleta de documentos, celulares e provas digitais.
O nome “Martelo Virtual” faz alusão ao símbolo tradicional dos leilões presenciais, adaptado ao ambiente digital — onde os criminosos exploravam a falsa sensação de legitimidade para atrair vítimas.
🚫 Alerta à população: como evitar cair no golpe do leilão
O delegado responsável pela operação, Felipe Colombari, reforça a importância da verificação da procedência dos sites antes de qualquer transação:
Dicas para não cair em golpes:
- 🔍 Desconfie de preços muito abaixo da média de mercado;
- 🛡️ Verifique se o site tem CNPJ, telefone e endereço físicos válidos;
- 🧾 Consulte reclamações em sites como o Reclame Aqui e fóruns de discussão;
- 🔐 Não envie valores adiantados sem contato direto com o leiloeiro oficial;
- 🖥️ Confirme no site da Junta Comercial ou do Detran se o leilão é reconhecido.
Golpes como esse se multiplicam na internet com o aumento da busca por carros baratos. A promessa de um “negócio imperdível” muitas vezes termina em prejuízo e frustração.
📢 Fique atento: o barato pode sair caro
A falsa sensação de urgência, os valores muito atrativos e o uso de linguagem técnica convincente tornam o golpe do leilão um dos mais perigosos da internet. Ao menor sinal de dúvida, pare, pesquise e denuncie.
A PCMG alerta que novas fases da operação podem ocorrer, uma vez que a apuração segue em andamento e outros envolvidos ainda podem ser identificados.
