A Justiça do Ceará determinou o leilão antecipado de uma caminhonete Toyota Hilux branca, blindada, que pertencia a André Barbosa do Amaral, conhecido como “Del”. Ele é apontado pelas autoridades como um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no bairro Edson Queiroz, em Fortaleza.
O veículo, apreendido pela Polícia Civil do Ceará (PCCE) em novembro de 2020 durante as investigações do assassinato de Wires Henrique Castro de Andrade, o “General”, será leiloado no dia 9 de dezembro deste ano. A medida visa evitar a deterioração e a desvalorização do bem, além de reduzir os custos de manutenção para o Estado enquanto o processo judicial tramita.
Disputa Judicial Define Valor
O processo de avaliação da caminhonete gerou controvérsias. Inicialmente, o veículo chegou a ser avaliado por uma oficiala de Justiça como sucata, com um valor estimado de apenas R$ 8 mil. No entanto, o leiloeiro estabeleceu um valor inicial de R$ 38 mil.
Após um pedido de reavaliação feito pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), a Justiça definiu o lance inicial do leilão em R$ 37 mil.

Alienação Antecipada e Destino do Dinheiro
O leilão, autorizado após pedido da Polícia Civil e aval do MPCE, é classificado como uma alienação antecipada. Essa prática legal é utilizada para evitar que bens apreendidos sofram depreciação antes da conclusão definitiva do processo.
O valor arrecadado com a venda da Hilux será depositado em um fundo do Estado e ficará retido até o veredito final do caso de André do Amaral, que foi condenado por envolvimento no homicídio.
- Em caso de condenação definitiva: O montante será convertido em renda pública, podendo ser destinado a ações de segurança e projetos sociais.
- Em caso de absolvição: O valor será devolvido integralmente ao réu.
O Homicídio e as Acusações
André do Amaral foi preso no contexto da investigação do homicídio de Wires Henrique, de 18 anos, ocorrido em setembro de 2020. O crime foi um ato de retaliação em meio a um confronto entre integrantes do Comando Vermelho e da facção rival Guardiões do Estado (GDE), no bairro Edson Queiroz. Wires, ligado ao GDE, havia assassinado um membro do CV dias antes.
Testemunhas indicaram que André do Amaral era responsável por fornecer o apoio logístico, incluindo armas e veículos, utilizados nos homicídios da região. Na ação policial que resultou em sua prisão, foram apreendidos nove bens, incluindo armas, munições e celulares. Uma das armas encontradas com ele apresentou compatibilidade balística com a usada no assassinato de Wires Henrique.
